O Princípio de toda a História

Eu nasci em Brasília em 64, cresci no lago sul e como todo guri fazia expedições na beira do Lago Paranoá que na época brotavam nas margens pedras de cristais das mais diferentes formas. Uma vez eu atravessei o lago agarrado em um colchão de piscina e batendo os pés, ao chegar em casa e contar a aventura, meu Pai me deu uma bronca: “Vc é louco, o Lago foi alagado com as árvores e os galhos poderiam ter furado este colchãozinho de M ”  Tinha também perto da minha rua um veleiro menor talvez um Sharpie abandonado. eu já o namorava.

Na adolecência fui um dos primeiros a praticar Windsurf em Bsb; Eu, meu irmão Betto, Peleja, Toninho passavamos a tarde em pé velejando no Paranoá, do Cota Mil até o Yatch Clube voltando pela represa, Península do Ministros e era fatal, naquela época o lago era superpoluído e uma micose era certeza, manchas brancas nos braços.

Havia no Cota mil este barco de madeira sempre encostado e que eu ja namorava. Era o Carioca, um classe Karioca e o primeiro veleiro de Brasília; Bem passou o tempo virei gente e até morei no mar por uns cinco anos da minha vida. Na primeira vez no veleiro do meu irmão Fernando. um Columbia 45 que saímos de Miami para Bermudas, Açores-Fayal, Cadiz, Baleares, Cotedázur até Roma. Chegando lá trocamos pau a pau o Columbia 45 por um Maxi 67 Sloop sem nada de interior. Hum ano e meio após e fazendo uma longa história curta,  passava-mos novamente por Gibraltar depois Canárias aonde cai na porrada com dois tripulantes  e por voto vencido me largaram na Gran Canárias durante o Carnaval…Naquela época só havia (bilhete de avião) PTA e levava um tempão para chegar desde Bsb aonde meu Pai bancava.

Voltei para Brasília, conclui a Universidade de Comércio Exterior e depois de formado e pós graduado em Sampa fui para a Europa fazer um Mestrado (MBA strictus sensus) aonde foi a segunda etapa da minha carreira de marinheiro. Em Nice fazia o curso na IAE (Institute de administracion de Enterprise) morava e trabalhava com Barcos Fui até marinheiro do Monsier Givenchi, o perfumista que dava valor ao fato que eu fazia meu MBA. Entrei  em Dunkerque como segundo a bordo do Patriach, um veleiro de setenta e cinco pés, fazendo o canal da Mancha, Ille d’oasaint, e todo litoral Atlântico Norte cruzando Gibraltar ate Nice.

E o Carioca? O Carioca continuava em Brasília no Clube Cota Mil. Conclui meus estudos após conhecer nos E.U.A minha atual e única esposa.

Eu a convenci em me acompanhar em um negócio no Brasil por apenas três meses. Com os meus pais em Brasilia com frequência ia visita-los.

Uma dessas visitas parei no Cota Mil para ver o Carioca. Ele estava encostado esquecido e sofrendo.

Tinha uma goteira no telhado aonde estava justamente encima dele. aquilo ia o apodrecendo aos poucos. Descobri que o dono era o Dr. Gustavo amigo do meu Pai.

” Dr. Gustavo me vende o Barquinho ele está sofrendo, Barcos têm alma.” Ele dizia que o Carioca estava na família há muito tempo e que seu filho Ronaldo não o deixaria vender; Passaran-se dois, três anos e eu registrava, fotografava o barco se deteriorando. Três anos após e uma cartinha sentimental escrita a punho por mim convenci o Dr. Gustavo “Dr., Barcos tem alma”. Um belo dia ele me liga e diz: Adriano, agora vc terá a icumbência de restaurar o Carioca. Lembran-se do Veleiro ’67 que trocamos em Roma? este veleiro foi feito o interior por um sujeito chamado Lars Krueger. Lars do então estaleiro Kalmar. Me encontrei com o Lars em São Paulo durante o Boat Show aonde rapidamente o convenci no restauro.E paguei; Refizeram o casco com a última “tira” em mogno quando lamentavelmente  o Lars adoeceu e  infelizmente faleceu; O Carioca ficou esquecido durante uns quatro anos no estaleiro Kalmar em Itajaí.

Comprei outro veleiro e mudei-me para São Paulo até experimentar algo diferente do do lugar que morava após quase quinze anos em Alphaville 1.; A Aldeia da Serra, um lugarzinho muito bacana encima da montanha com clima próprio e qualidade de vida sem igual para quem mora em uma megalópolis como São Paulo. A Aldeia da Serra é um conjunto com poucos condomínios idealizada pelo Sr; Takaoka mentor dos Alphavilhes e julgado por ele mesmo como muito especial.

Bem, a Aldeia da Serra assim como Brasília está a 999 mts acima do nivel do mar. Ao me mudar logo conheci o Bernard, aliás Monsier Bernard; Cidadão Belga, apreciador de cerveja, Pai e  chefe de uma família linda e curiosa. A Esposa é uma super executiva de multinacional, a filha fala japonês e sempre foi no colégio vencedora de subir em pau-de-sêbo nas festas juninas, e angariava todos os tipos de prêmios e descontos além de patinar super bem. Tem o Garoto que é super-legal, uns oito anos de pura vontade de aprender e aprontar. Na úlima vez ele construía uma casa na árvore. Léo é show.E o Bernard? Figuraço, ser humano admirável preocupado com tudo e todos e com o mundo. Velejador partícipe anualmente da regata de Noronha, marcineiro e meu amigo. Sem este cara eu não estaria escrevendo agora. o cara é muito bacana mesmo. Deixou até eu colocar o Carioca em um terreno que ele possui (mediante um taxinha para serviços e ocupação do estaleiro….e seu trabalho incluindo cerveja gelada.)

Compramos lonas de tamanhos diversos, algumas bobinas de cordinhas, tocos postes e amarrações e construimos o “estaleiro”  Pôr do Sol sem igual, maritacas mil, muita mata e 999 mts acima do nivel do Mar assim como o clube Cota mil aonde foi a casa do Carioca em Brasília….amazing, o Carioca vai ressuscitar.

Depois de quase dois anos no estaleiro do Baú e quase ressuscitado conforme o paragrafo anterior, levei-o para o estaleiro Chez Moi, talvez a primeira vista para a agua que o carioca tem após sua saída de Brasilia no Clube Cota Mil.

Na minha casa tenho uma garagem para seis carros aberta para o jardim com um magnifico visual das árvores e revoada de pássaros, logo ali um  lago, acho que irei fazer o teste de estanqueidade ou na piscina ou nele, no lago Orion rs, rs basta empurrar no barranco do jardim…..

Ferramentas  diversas, compressor de ar, bancada, morsa e tudo que precisarei para continuar o trabalho eu já tenho e o que não tenho em casa tenho na empresa.

Com o Carioca em casa, não passa um dia sem uma novidade e algo novo, pronto ou em vias de…

Andréa minha esposa e meus filhos me fazem companhia e volta e meia ganho lanches,dependendo do horário vinho e frios….

Fiz muita coisa sozinho mais fui buscar ajuda……. e das melhores.

Meu amigo e fornecedor de moldes a anos, Modesto e seu filho Marcelo.

Marcelinho era jogador de futebol quando moleque, era tão bom que foi jogar no São Paulo e não deu continuidade pelo seu companheirismo para com o seu Pai. logo vc percebe o orgulho que tem do Pai, é bacana e o Modesto é merecedor.

Passei lá como faço de quando em vez e pedi que me ajudasse. Em cinco visitas concluímos quase o interior e acho que mais umas cinco faremos também os bancos do cokpit.

Vamos nessa que tem trabalho a beça…

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